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Transgeneridade é tema de novo livro do Instituto Elo

'A menina que não precisava de óculos’ aborda a delicadeza dessa condição para o universo infantil

Neste Dia das Crianças (também Dia Nacional da Leitura) a coleção Cidadania para Crianças, do Instituto Elo, acaba de entrar em sua nova fase com o livro ‘A menina que não precisava de óculos’. A publicação está sendo distribuída gratuitamente, tanto via online, por meio do site e redes sociais, como na forma impressa, com o envio para organizações sociais e órgãos públicos relacionados à temática, além de interessados em geral que solicitarem – até o limite desta primeira tiragem (1000 exemplares), custeada exclusivamente pela instituição.

Autor do livro, Alexandre Compart conta que a escolha do tema “criança transgênera” está associada ao objetivo da nova fase da coleção Cidadania..., que é ir além da abordagem ficcional de valores tidos como universais (solidariedade, tolerância, não violência) e mergulhar no universo específico de públicos sub-representados. “Fazer parte de uma minoria e não se enxergar em quase nenhum canal, revista ou programa é uma situação que oprime e só reforça o estigma”, pondera Alexandre, que também é mestre em sociologia e diretor institucional do Instituto Elo. Dessa maneira, a obra se propõe a trabalhar a temática junto a pais, professores e, claro, com as crianças e demais interessados, ressaltando a importância da compreensão, do afeto e do respeito ao “outro”.

Sobre o processo que baseou a construção da história, Alexandre revela que um dos maiores desafios foi encontrar referências que abordassem o tema de maneira direta sem vícios ou preconceitos. “Foram quase dois anos atrás de bibliografia, filmes e contatos com pessoas e instituições do universo transgênero, e nesse tempo pude ter uma noção mais precisa da verdadeira lacuna sobre este meio... Mesmo num país extenso como o Brasil, são pouquíssimas as ONGs que lidam especificamente com a transgeneridade na infância”, pontua.

Quanto à escrita, o autor diz que a maior dificuldade foi conseguir abordar o tema de maneira leve: “Realmente, trata-se de um drama para muitas pessoas, mas eu não queria reforçar esse aspecto já tão repisado, até mesmo para não intimidar o público infantil ou dificultar o uso da obra em sala de aula, por exemplo. A intenção foi destacar o aspecto natural da diferença e a riqueza de relacionamento que há quando os outros se abrem para essa condição”.

Para Alexandre, mais importante que o eventual sucesso do livro será a oportunidade de promover alguma sensibilização. “Esperamos que a publicação realmente chegue às famílias, aos professores e profissionais da saúde que lidam diretamente com esse tipo de situação, e, claro, que também chegue até as crianças”, almeja. 


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